04 de Agosto de 2008

 

Senhor, vós que também fostes criança e que de todas sois o curador-maior, ajudai a que o meu amanhã seja melhor e que a minha família me veja crescer em segurança e felicidade, neste mundo tão cheio de incertezas e perigos.

Não deixeis que políticos e deputados continuem a invocar minhas necessidades e meus direitos em fins de legislatura ou início de campanhas, não permitais que me afaste de meus pais por falta de condições para me educarem, e se tal tiver que suceder, não deixeis que me coloquem num ‘depósito’ desses que por aí há.

Se me faltarem os pais, arranjai-me outra família equivalente àquela que me gerou e protegei-me do abuso, do mau-trato e da negligência.

Ajudai o Estado a criar um sistema nacional eficaz de apoio a todas as crianças, dentro e fora das suas famílias, afastai de mim os sábios académicos que nunca lidaram com crianças, a quem chamam menores, jovens e outros nomes que a convenção da ONU desconhece.

Iluminai o espírito e a inteligência de técnicos e magistrados que tantas vezes condicionam o nosso futuro para que possamos exercer a nossa cidadania e respirar a nossa liberdade, dentro duma família.

Incuti, Senhor, em toda a hierarquia do estado de direito. A noção do dever de se ocupar da “criança no tempo de ser criança” e de respeitar o nosso 2º direito – o direito à família! O primeiro melhor que ninguém o sabeis, é o direito há vida.

Fazei com que os decisores políticos organizem um ‘dossiê criança’ e dele façam uma preocupação diária, como se cada uma de nós fosse um dos seus filhos.

Vós que sabeis como é difícil lidar com os outros como se nossos fossem, e conheceis como ninguém os caminhos do sofrimento, da solidão e do medo de tantas crianças, levai-os a cumprir as boas leis que temos e a reformular as más que persistem, tendo unicamente em conta o superior interesse de todas nós e não doutros interesses, dos adultos.

Protegei-nos da hipocrisia política e da caridadezinha que, lado a lado, há décadas mascaram a realidade dura da vida de muitas crianças vítimas do excesso e da perturbação dos adultos. (…)

Por último, Senhor, incuti nos homens e mulheres deste país, a noção de que “cada criança só tem um tempo de ser criança e que os adultos, também só têm um tempo para ajudar cada uma que deles precise”.

 

LUÍS VILLAS-BOAS

Psicólogo clínico

publicado por carlos lopes às 10:16

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