05 de Fevereiro de 2007
Única, revista do jornal Expresso nº 1788 de 3 de Fevereiro de 2007:

… Mas. Aquele rapaz em Arzila, armado cavaleiro num chão de sangue e areia, que do pai perdulário recebe de herança apenas os caminhos de Portugal, que com a mesma mão mandou seguir para as Índias, África abaixo, e empurrou a lâmina que esventrou nobreza traidora (que em ti se cumpra o que contra mim conspiravas). Esse. Esse todo. Esse único. Deixem este cidadão votar, que por vezes lhe vem pena de ter nascido cinco séculos mais tarde. E do pouco que há-de dizer sua lápide singela, arranjem espaço para acrescentar, miudinha letra que seja, que ele que se despedia com o País o mundo perdidamente admirava Dom João Segundo.

 (Rodrigo Guedes de Carvalho)

 

… Mas o que mais me aflige hoje em dia é a situação precária e humilhante em que vivem os imigrantes. Angustia-me a forma como são tratados os africanos e esta nova vaga de imigrantes de Leste, mesmo pelos portugueses que estão ao nível do que eles. Não levam nada desta vida além da falta de respeito.
Sinto-me constrangida a olhar para eles nas obras de construção civil que tenho de vigiar enquanto técnica, sempre que há movimentação de terras, e a pensar que tenho nas mãos o meu ideal de vida: andar com as botas na lama emocionarem constantemente com a descoberta.

(Joana Vivas, técnica de arqueologia)

 

…Não espero que Marcelo (Rebelo de Sousa) saiba o que é um aborto clandestino, ou o que sofrem as mulheres pobres que espetam agulhas ou praticam o aborto de vão de escada. Naquele mundo admirável e burguês onde vive uma existência doce o professor Marcelo, essas coisas simplesmente não são faladas, questão de educação. A hemorragia, o sangue, a pele furada, o útero escavacado, a torpe acção clandestina, trabalho de mulheres sobre mulheres ao qual o professor é estranho e continuará, por razão fisiológica civilizacional, estranho, são coisas feias de mais. Os pobres são outro país, os ignorantes também. Quando era um político no activo, o professor saía muito à rua a cativar o voto dos pobres. Na verdade, os pobres em tempo eleitoral são como as mulheres que abortam, uma abstracção, um, digamos, «estado de alma».

(Clara Ferreira Alves)

 

publicado por carlos lopes às 14:19

Ó Rosa, Rosa brava, brava rosa,
que pena teres nascido num país de merda,
bafiento, salazarento.

Foge, enquanto há tempo,
enquanto o tempo não escorre
como areia nas nossas mãos.
publicado por carlos lopes às 08:55

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