07 de Fevereiro de 2007
No mesmo artigo e sobre o filme Il Miracolo (também com Anna Magnani):

«...A "superficialidade dos homens" manisfestou-se ainda mais do que em Una Voce Umana. Muito tempo antes de Je Vous Salue, Marie, o filme foi considerado uma blasfémia. O Cardeal Spelmann, da América, ameaçou de excomunhão quem o visse.
Foi então que Rossellini lhe mandou um telegrama, a transcrever na íntegra um sermão de São Bernardino de Siena. Custou-lhe mil dólares, o que em 48 era dinheiro.
Um camponês, uma criança e um cão. O camponês foi trabalhar, deixou a criança a dormir à sombra de uma árvore e o cão a guardá-la. Quando voltou, a criança estava morta com duas marcas de dentes bem visíveis na garganta. O cão tremia todo. Desvairado, o homem matou o cão. Mas, quando o corpo do animal caiu, ele descobriu assombrado que o cão esmagara uma enorme serpente, que matara a criança e o estava a matar a ele. O cão chamava-se Bonino. O camponês, arrependido, enterrou-o na cova de um rochedo, e escreveu: "Aqui jaz Bonino, morto pela superficialidade dos homens".
Passaram-se séculos. Chegaram peregrinos, descobriram os ossos, e pensaram tratar-se de um mártir. Rezaram e sucederam-se milagres. Edificaram uma igreja dedicada a São Bonino. Veio muita gente de muitas partes e houve muitos mais milagres. Concluiu São Bernardino de Siena: "O que importa é a fé dos homens. Nada mais conta. O resto é a superficialidade dos homens".
Não sei como reagiu o Cardeal. A superficialidade dos homens é tamanha..."
publicado por carlos lopes às 13:52

Já há algum tempo que não trago aqui nada do João Bénard da Costa, de maneira que hoje serão dois postos com excertos do artigo que ele escreveu no Domingo passado no jornal Público:

"Una Voce Umana, que já foi encenado de mil maneiras, que já serviu de base a uma ópera e a muitos filmes de televisão, é a história de três conversas telefónicas entre uma mulher dos seus trinta e muitos, quarenta e poucos, que está sozinha em casa, com um homem que foi amante dela. Ele telefona-lhe para dizer que se vai casar com outra bastante mais nova, e nunca mais o vemos ou ouvimos. Em cena - ou no filme, no plano - só a mulher (Anna Magnani), um cão, um telefone preto e uma enorme cama.
...
Já alguém disse que se falasse ao telefone com aquela mulher, mesmo sem a conhecer, não teria querido outra. Mas os homens são muito superficiais e até aquele que por três vezes lhe telefona e pelos vistos a conhece bem, a deixa e desaparece."
publicado por carlos lopes às 10:47

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